Os cultos ao vivo da SAT-7 da Igreja da Ressurreição em Beirute são uma bênção para milhares de crentes do Oriente Médio. Mas quando a igreja começou a ajudar os refugiados sírios, seus membros descobriram que precisavam se curar – e o Espírito Santo trabalhou poderosamente, transformando sua raiva e dor em perdão.

Quando centenas de milhares de refugiados começaram a fugir da Síria, atingida pela guerra, para o Líbano em 2011, o pastor Hikmat Kashouh pensou que sua igreja estava pronta.

“Era como se Deus tivesse nos preparado para isso”, diz ele. Como a igreja já estava apoiando trabalhadores migrantes da Síria, eles estavam bem posicionados para fornecer aos refugiados comida, abrigo, kits de sobrevivência no inverno e remédios.

FERIDAS VELHAS REABERTAS

A congregação não estava preparada para como eles se sentiriam.

Relacionar-se para seus novos e vulneráveis ​​vizinhos significava transpor divisões religiosas, étnicas e culturais. Mas alguns membros da igreja ficaram paralisados ​​por sentimentos de ressentimento e mágoa que foram ainda mais profundos.

“Os sírios eram nossos inimigos por tantos anos”, explica Kashouh. Confrontados com lembretes da longa ocupação do Líbano pela Síria – de 1976 a 2005 – muitos locais pensaram primeiro em retaliação.

“DEUS VAI CURAR”

Um dia, Kashouh convidou um líder da comunidade síria para a plataforma da igreja. O pastor pegou um balde e uma esponja, preparando-se para lavar os pés do líder. Ao fazer isso, ele encontrou sua própria raiva e mágoa inundando sua mente.

“Ao me aproximar dos pés dele, vi os pés que pisaram em nossas infâncias e destruíram o Líbano. Lembrei-me da nossa guerra e tudo o que aconteceu conosco”, lembra ele.

Mas quando ele se curvou, algo aconteceu. “Senti que Deus se curvou e começou a limpar minhas feridas”, diz Kashouh. “Eu aprendi uma ótima lição. Quando você se curva para lavar os pés de seu inimigo, Deus se curva para encontrar você na sua dor.”

O pastor Hikmat Kashouh ora pela congregação na Igreja da Ressurreição de Beirute.

UM MODELO DE PERDÃO

Transformação semelhante estava ocorrendo em toda a igreja – tanto na congregação quanto entre os refugiados. Com o tempo, a Igreja da Ressurreição passou a abrir salas de aula e duas clínicas médicas para servir os refugiados.

Desde então, a congregação cresceu de 90 para 1.300, e seus cultos – transmitidos semanalmente no SAT-7 ÁRABE – são um modelo de diversidade e tolerância em uma região frequentemente marcada por divisão.

“Descobri que a ferramenta mais poderosa para compartilhar o Evangelho é o perdão”, diz Kashouh.