“Você pode fechar nossas igrejas, mas não pode fechar nossos corações” é o clamor da Argélia, à medida que as igrejas são fechadas, apesar do artigo 42 da Constituição da Argélia garantir aos cidadãos a liberdade de adorar e a liberdade de se reunir para um culto. O fechamento da maior delas em 15 de outubro – a Igreja Full Gospel, de 1.200 membros, de Tizi Ouzou (EPPETO) – também interrompeu as transmissões de televisão ao vivo dos serviços semanais pela emissora cristã SAT-7.

O pastor Salah Challah, presidente da Igreja Protestante da Argélia (EPA) e pastor sênior da congregação Full Gospel, tem destacado a situação desde que ele e os líderes de duas outras grandes igrejas receberam a notificação de que seus prédios deveriam ser fechados imediatamente, em 15 e 16 de outubro.

“Não sabemos até onde isso vai e quais são as intenções de nossas autoridades”, disse ele em uma mensagem de vídeo compartilhada nas mídias sociais. Ele pediu aos irmãos que “se unam a nós em oração porque a situação é crítica”.

No entanto, Challah disse que as autoridades “podem fechar nossas igrejas, mas não nossos corações”. Isso foi demonstrado em uma série de postagens compartilhadas pelas igrejas argelinas. Vários membros da igreja Full Gospel adoram do lado de fora de suas portas trancadas em uma escada, enquanto outro mostra manifestantes orando do lado de fora da Light Church, com 100 membros (L’eglise Tafat) em Tizi Ouzou, no dia em que foi fechada.

A igreja Full Gospel foi fundada em 1996 e, como as outras igrejas fechadas, pertence à Igreja Protestante da Argélia (EPA). Essa associação de cerca de 45 igrejas foi legalmente reconhecida em 2011 e foi registrada originalmente em 1974.

Mas todas as igrejas têm se esforçado para cumprir uma ordenança introduzida em 2006 que exige que locais de reunião não muçulmanos tenham autorização oficial prévia. Apesar de todas as solicitações da igreja Full Gospel e de outras congregações, o governo ainda não emitiu nenhuma licença para a construção de uma igreja. Da mesma forma, a EPA fez repetidas tentativas de se registrar novamente de acordo com a Lei de Associações de 2012, mas as tentativas foram ignorados. Desde novembro de 2017, mais de uma dúzia de igrejas do país foram fechadas.

Rita El-Mounayer, CEO internacional da SAT-7, comenta: “Desde 2012, a SAT-7 transmite cultos da Igreja Full Gospel de Tizi Ouzou em nosso canal árabe. A resposta entusiástica que recebemos dos espectadores mostra o quanto esses cultos são valorizados pelos nossos espectadores argelinos.

“Oramos para que as portas dessas igrejas argelinas sejam abertas em breve e que nossos companheiros cristãos tenham a liberdade de adorar de que desfrutam tanto.”

Além de transmitir cultos de adoração no dialeto argelino de amazigh, a SAT-7 também exibe um programa no qual os crentes argelinos compartilham suas histórias pessoais de fé, um programa de mulheres na Amazigh e um programa infantil, A Verse and a Story (Um Verso e Uma História).

Cerca de 80% dos programas da SAT-7 são feitos no Oriente Médio e no Norte da África. Eles não são políticos e nunca criticam outras religiões.